SERMÃO
12/08/2012
TEXTO: SALMO 133
Cântico de romagem. De
Davi. Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! 2 É como o óleo precioso sobre a
cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas
vestes. 3 É como o orvalho do
Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e
a vida para sempre.
INTRODUÇÃO: Eu
quero lembrar e começar esta mensagem com a Confissão de Fé de Westminster;
Capitulo XXVII, I: “DA COMUNHÃO DOS
SANTOS”
Todos os santos que pelo seu Espírito
e pela fé estão unidos a Jesus Cristo, seu Cabeça, têm com Ele comunhão nas
suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição e na sua
glória, e, estando unidos uns aos outros no amor, participam dos mesmos dons e
graças e estão obrigados ao cumprimento dos deveres públicos e particulares que
contribuem para o seu mútuo proveito, tanto no homem interior como no exterior.
Diz
o apostolo Paulo que a igreja esta unida como um corpo esta unido mesmo com
seus diversos membros. É uma analogia perfeita. “de maneira que, se um membro
sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com eles todos se regozijam”
(1 Co 12.26).
E mais, devemos “Viver, acima de tudo, por
modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando
ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito,
como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1:27 ARA).
Devemos estar inteiramente unidos por meio do amor, na mesma
disposição mental e no mesmo parecer.
ELUCIDAÇÃO: O
livro de Salmos tem sido chamado de: “o Hinário de Israel”, pois é dito que o
povo se reunia a fim de adorar ao Senhor segundo a sua própria palavra. Fica
evidente quando lemos “Cântico de romagem de Davi” que o autor deste livro é
Davi, e alguns estudiosos são da opinião de que este Salmo tenha sido escrito por ocasião do
início do reinado de Davi sobre todo o Israel. Davi reinou sobre Jerusalém
durante trinta e três anos. Podemos dizer, resumidamente, que Davi expressa o
seu ardente desejo de ver o seu reino em união, ou, Davi anseia por ver as
tribos unidas ao subir para o templo em peregrinação.
Nesta oportunidade quero compartilhar a
mensagem com o seguinte tema:
CULTIVAR
A UNIÃO
Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
A
minha tradução seria “Olha! Como é boa e agradável a habitação de irmãos em
harmonia?” temos nessa expressão o tema central desse salmo, onde a unidade é
grandemente enfatizada pelo salmista. Os irmãos descritos pelo salmista não se
restringem apenas a parentes, mas faz referência a membros da mesma comunidade,
aqueles que professam a mesma santa religião, e são governados pelas mesmas
instruções. Sendo assim, o salmista refere-se aos povos, porém, inicialmente ao
povo de Israel.
Presta
atenção meu querido irmão! O salmista Davi faz referência a dois adjetivos
absolutos (bom e agradável), que por sua vez fica claro a importância da união
ente o povo de Deus. Apesar de que tragédias passariam mais tarde a oprimir a
casa de Davi; quando a espada não mais se apartaria da mesma, no momento em que
o salmista profere estas palavras, não as faz ironicamente, mas relata o que
estava ocorrendo naquele instante. Sendo que Deus lhe havia concedido não só
Jerusalém (2 Sm 5.1-10), mas todo o Israel. Pois é certo que Davi descreve a
paz que reinava no instante em que as palavras foram proferidas.
Fica
claro e nítido, que a unidade a qual Davi relata é algo que se faz necessário
entre todo o povo de Deus. Entretanto, sabe-se que essa é uma tarefa árdua,
devido pois muita das vezes as pessoas estão mais prontas para defender o seu
ponto de vista, chegando ao ponto de negligenciar até mesmo o beneficio do
todo.
O
que deve ser considerado é que a palavra (UNIDOS) pode ser traduzida com: “de
uma só mente”. A divisão traz drásticas consequências, e por essa razão o povo
de Deus deve cultivar a unidade como prova do seu comprometimento com o Senhor.
Considerando a respeito da unidade Gordon Lindsay faz a seguinte declaração:
Até o
reino de satanás depende de certa unidade. Por isso disse Jesus: “Todo reino
dividido contra si mesmo será assolado, e a casa dividida contra si mesmo
cairá. Ora, pois, se satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o
seu reino?” (Lc 11.17-18). Se o reino de satanás não pode subsistir, dividido
contra si mesmo, que dizer da Igreja? Que dizer dela na presente geração?
Subsistiremos juntos? Poremos de lado nossas mesquinhas diferenças perceberemos
a tempo que todos precisamos uns dos outros?
É
necessário compreendermos que a comunidade dos santos não é um agregado de
individualistas, mas a reunião de pessoas que dão prova de sua fé, a partir do
trabalho mutuo, onde todos visam uma só coisa, ou seja, a glória de Deus.
Em
Efésios capítulo 4 verso 4 a 6 o
apóstolo Paulo dar ênfase à união do povo de Deus expressando as seguintes
palavras: “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados
numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só
batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos
e está em todos”. Neste texto vemos claramente Paulo chamando a atenção dos
crentes quanto a importância da comunhão entre os santos, pois basicamente a
ênfase dada por esse apóstolo é que as diferenças devem ser deixadas de lado
visando com isso o benefício de todos.
Ainda referente à unidade é dito que: “Tal como o corpo humano está
plenamente impregnado por seu espírito, e por isso é uno e pode funcionar como
unidade, cada membro cooperando com os demais, assim sucede também com a
igreja.”
Mas,
por que cultivar a união?
1.
É o Meio de receber as dadivas de Deus
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para
a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
O versículo 2 começa
dizendo: “É como o óleo precioso sobre a cabeça...”
Quais eram as
utilidades do óleo?
A Bíblia faz menção ao óleo por várias vezes, onde
são usados para diferentes fins. Um aspecto a ser considerado é que a Bíblia sempre
que sita o óleo, o faz positivamente. Vemos óleo sendo apresentado como
sinônimo de:
a.
Prosperidade,
plenitude e abundância (Dt 8.8);
“porque o SENHOR, teu Deus, te faz entrar numa boa terra,
terra de ribeiros de águas, de fontes, de mananciais profundos, que saem dos
vales e das montanhas; 8 terra de trigo e cevada, de vides,
figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel;”
b.
Poder,
capacidade e eficiência (Sl 92.10);
“Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o
óleo fresco.”
c.
E
por fim o óleo é descrito como fonte de regozijo, alegria e unidade (Sl 23.5; e
Pv 27.9);
“Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça
com óleo; o meu cálice transborda.”
“Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo
encontra doçura no conselho cordial.”
Temos
agora no verso 2, o salmista fazendo referência a Arão. Primeiramente, quem era
Arão? Era um sacerdote da tribo de Judá. Um fato interessante é que a figura do
sacerdote é de real importância para Israel, pois por meio dele, Deus na sua
bondade dispensava bênçãos sobre o seu povo.
Comentando
a respeito de Arão, Van Groniguen diz: “Arão o sumo sacerdote deveria ser
ungido (Ex 29.7). por meio disto, ele foi colocado em um relacionamento intimo,
e profundo com Yahweh, como seu representante mediador ordenado no meio da
congregação de Israel, da qual ele continuava a ser membro”. No desenvolver do
seu ofício o sacerdote atuaria como uma espécie de mediador entre Deus e o
povo, pois esse tinha a incumbência de colocar perante o Deus Santo as
transgressões cometidas pelo povo, estando esse povo sujeito a ser perdoado ou
não, cabendo ao sacerdote a tarefa de abençoar ou amaldiçoar conforme a
determinação do Senhor.
Segundo
Berkhof , “o sacerdote era representante do homem junto a Deus. Tinha o
especial privilégio de aproximar-se de Deus, e de falar e agir em favor do povo”.
A referência específica a Arão não se limita a ele, Arão aqui é posto como o
“cabeça” da ala sacerdotal. O nome dele é representativo em relação aos demais.
Pois por meio de seu sacerdócio, o perdão foi assegurado, além das bênçãos que
por seu intermédio recaiam sobre o povo.
Ou seja, meu
querido irmão. O óleo precioso despejado sobre o mediador, representava a
importância que todos nós devemos cultivar a unidade, porque só assim teremos
as bênçãos de Deus em nossas vidas.
À medida que o
óleo descia sobre os ombros de Arão, também ungia as pedras postas sobres os
mesmos, que por sua vez representava as doze tribos de Israel. Para que a unção
de Deus recaia sobre o seu povo, é necessário que a união seja algo presente na
vida da igreja.
A união da verdadeira igreja é sagrada. Precisa surgir
do amor ordenado por Deus; ser baseado nos principios prescritos por Deus; e
existir para os fins determinados por Deus.
2.
Produz
generosidade amorosa.
“É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de
Sião.”
O orvalho que desce do Hermom sempre foi bem aceito
pela palestina, isso pelo fato de ser uma região quente e seca. As encostas do
Hermom favoreciam florestas que por sua vez produziam árvores que eram
extraídas pelos fenícios a fim de construir navios.
Normalmente, Hermom se mantinha coberto de neve o ano inteiro,
porém, por volta de março e abril desprendia o orvalho que, constantemente, a
noite, beneficia as regiões áridas, levando dessa maneira
vida para uma região castigada pela seca. Constituindo-se,
assim, como uma benção.
A união dessas bênçãos faz com que o povo se una em amor
fraternal, para que a vida lhes seja boa e agradável.
É de Sião que
Deus graciosamente ordena a vida e a saúde para seus filhos. É de sua morada
eterna que sempre surgirá as bênçãos para todos aqueles que atentam para a sua
palavra. “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade,
tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos
outros ardentemente ”( 1 Pd 1.22).
Em hebreus 4.14,15, (Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo
sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. 15
Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas
sem pecado.”) vemos
Cristo sendo apresentado como mediador da aliança. Quanto a menção de Arão como
sacerdote v, 2 podemos dizer que Cristo também atua como mediador. Diz Paulo ao
seu filho Timóteo: “Porquanto há um só
Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1
Tm 2.5).
Assim como o monte Sião era regado
pelo derreter do orvalho, assim também a Igreja é regada pela fonte de água
viva que é Cristo. Que por meio de sua atuação possibilita que os crentes sejam
alvos das bênçãos de Deus.
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