segunda-feira, 13 de agosto de 2012


SERMÃO 12/08/2012


TEXTO: SALMO 133
Cântico de romagem. De Davi. Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!  2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.  3 É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre.

INTRODUÇÃO: Eu quero lembrar e começar esta mensagem com a Confissão de Fé de Westminster; Capitulo XXVII, I: “DA COMUNHÃO DOS SANTOS”

Todos os santos que pelo seu Espírito e pela fé estão unidos a Jesus Cristo, seu Cabeça, têm com Ele comunhão nas suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição e na sua glória, e, estando unidos uns aos outros no amor, participam dos mesmos dons e graças e estão obrigados ao cumprimento dos deveres públicos e particulares que contribuem para o seu mútuo proveito, tanto no homem interior como no exterior.

   Diz o apostolo Paulo que a igreja esta unida como um corpo esta unido mesmo com seus diversos membros. É uma analogia perfeita. “de maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com eles todos se regozijam” (1 Co 12.26).
   E mais, devemos “Viver, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1:27 ARA).
   Devemos estar inteiramente unidos por meio do amor, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.

ELUCIDAÇÃO: O livro de Salmos tem sido chamado de: “o Hinário de Israel”, pois é dito que o povo se reunia a fim de adorar ao Senhor segundo a sua própria palavra. Fica evidente quando lemos “Cântico de romagem de Davi” que o autor deste livro é Davi, e alguns estudiosos são da opinião de que este  Salmo tenha sido escrito por ocasião do início do reinado de Davi sobre todo o Israel. Davi reinou sobre Jerusalém durante trinta e três anos. Podemos dizer, resumidamente, que Davi expressa o seu ardente desejo de ver o seu reino em união, ou, Davi anseia por ver as tribos unidas ao subir para o templo em peregrinação.
 Nesta oportunidade quero compartilhar a mensagem com o seguinte tema:

CULTIVAR A UNIÃO
Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
A minha tradução seria “Olha! Como é boa e agradável a habitação de irmãos em harmonia?” temos nessa expressão o tema central desse salmo, onde a unidade é grandemente enfatizada pelo salmista. Os irmãos descritos pelo salmista não se restringem apenas a parentes, mas faz referência a membros da mesma comunidade, aqueles que professam a mesma santa religião, e são governados pelas mesmas instruções. Sendo assim, o salmista refere-se aos povos, porém, inicialmente ao povo de Israel.
Presta atenção meu querido irmão! O salmista Davi faz referência a dois adjetivos absolutos (bom e agradável), que por sua vez fica claro a importância da união ente o povo de Deus. Apesar de que tragédias passariam mais tarde a oprimir a casa de Davi; quando a espada não mais se apartaria da mesma, no momento em que o salmista profere estas palavras, não as faz ironicamente, mas relata o que estava ocorrendo naquele instante. Sendo que Deus lhe havia concedido não só Jerusalém (2 Sm 5.1-10), mas todo o Israel. Pois é certo que Davi descreve a paz que reinava no instante em que as palavras foram proferidas.
Fica claro e nítido, que a unidade a qual Davi relata é algo que se faz necessário entre todo o povo de Deus. Entretanto, sabe-se que essa é uma tarefa árdua, devido pois muita das vezes as pessoas estão mais prontas para defender o seu ponto de vista, chegando ao ponto de negligenciar até mesmo o beneficio do todo.
O que deve ser considerado é que a palavra (UNIDOS) pode ser traduzida com: “de uma só mente”. A divisão traz drásticas consequências, e por essa razão o povo de Deus deve cultivar a unidade como prova do seu comprometimento com o Senhor. Considerando a respeito da unidade Gordon Lindsay faz a seguinte declaração:

Até o reino de satanás depende de certa unidade. Por isso disse Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo será assolado, e a casa dividida contra si mesmo cairá. Ora, pois, se satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino?” (Lc 11.17-18). Se o reino de satanás não pode subsistir, dividido contra si mesmo, que dizer da Igreja? Que dizer dela na presente geração? Subsistiremos juntos? Poremos de lado nossas mesquinhas diferenças perceberemos a tempo que todos precisamos uns dos outros?

É necessário compreendermos que a comunidade dos santos não é um agregado de individualistas, mas a reunião de pessoas que dão prova de sua fé, a partir do trabalho mutuo, onde todos visam uma só coisa, ou seja, a glória de Deus.
Em Efésios capítulo 4 verso 4 a 6  o apóstolo Paulo dar ênfase à união do povo de Deus expressando as seguintes palavras: “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. Neste texto vemos claramente Paulo chamando a atenção dos crentes quanto a importância da comunhão entre os santos, pois basicamente a ênfase dada por esse apóstolo é que as diferenças devem ser deixadas de lado visando com isso o benefício de todos.  Ainda referente à unidade é dito que: “Tal como o corpo humano está plenamente impregnado por seu espírito, e por isso é uno e pode funcionar como unidade, cada membro cooperando com os demais, assim sucede também com a igreja.”
Mas, por que cultivar a união?


1.     É o Meio de receber as dadivas de Deus
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. 
O versículo 2 começa dizendo: “É como o óleo precioso sobre a cabeça...”
Quais eram as utilidades do óleo?
A Bíblia faz menção ao óleo por várias vezes, onde são usados para diferentes fins. Um aspecto a ser considerado é que a Bíblia sempre que sita o óleo, o faz positivamente. Vemos óleo sendo apresentado como sinônimo de:
a.       Prosperidade, plenitude e abundância (Dt 8.8);

“porque o SENHOR, teu Deus, te faz entrar numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, de mananciais profundos, que saem dos vales e das montanhas; 8 terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel;”

b.      Poder, capacidade e eficiência (Sl 92.10);

“Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo fresco.”

c.       E por fim o óleo é descrito como fonte de regozijo, alegria e unidade (Sl 23.5; e Pv 27.9);
  
“Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.”

Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.”


Temos agora no verso 2, o salmista fazendo referência a Arão. Primeiramente, quem era Arão? Era um sacerdote da tribo de Judá. Um fato interessante é que a figura do sacerdote é de real importância para Israel, pois por meio dele, Deus na sua bondade dispensava bênçãos sobre o seu povo.
Comentando a respeito de Arão, Van Groniguen diz: “Arão o sumo sacerdote deveria ser ungido (Ex 29.7). por meio disto, ele foi colocado em um relacionamento intimo, e profundo com Yahweh, como seu representante mediador ordenado no meio da congregação de Israel, da qual ele continuava a ser membro”. No desenvolver do seu ofício o sacerdote atuaria como uma espécie de mediador entre Deus e o povo, pois esse tinha a incumbência de colocar perante o Deus Santo as transgressões cometidas pelo povo, estando esse povo sujeito a ser perdoado ou não, cabendo ao sacerdote a tarefa de abençoar ou amaldiçoar conforme a determinação do Senhor.
Segundo Berkhof , “o sacerdote era representante do homem junto a Deus. Tinha o especial privilégio de aproximar-se de Deus, e de falar e agir em favor do povo”. A referência específica a Arão não se limita a ele, Arão aqui é posto como o “cabeça” da ala sacerdotal. O nome dele é representativo em relação aos demais. Pois por meio de seu sacerdócio, o perdão foi assegurado, além das bênçãos que por seu intermédio recaiam sobre o povo.
Ou seja, meu querido irmão. O óleo precioso despejado sobre o mediador, representava a importância que todos nós devemos cultivar a unidade, porque só assim teremos as bênçãos de Deus em nossas vidas.
À medida que o óleo descia sobre os ombros de Arão, também ungia as pedras postas sobres os mesmos, que por sua vez representava as doze tribos de Israel. Para que a unção de Deus recaia sobre o seu povo, é necessário que a união seja algo presente na vida da igreja.
A união da verdadeira igreja é sagrada. Precisa surgir do amor ordenado por Deus; ser baseado nos principios prescritos por Deus; e existir para os fins determinados por Deus.



2.      Produz generosidade amorosa.
“É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião.”

O orvalho que desce do Hermom sempre foi bem aceito pela palestina, isso pelo fato de ser uma região quente e seca. As encostas do Hermom favoreciam florestas que por sua vez produziam árvores que eram extraídas pelos fenícios a fim de construir navios.
Normalmente, Hermom se mantinha coberto de neve o ano inteiro, porém, por volta de março e abril desprendia o orvalho que, constantemente, a noite, beneficia as regiões áridas, levando dessa maneira vida para uma região castigada pela seca. Constituindo-se, assim, como uma benção. 
A união dessas bênçãos faz com que o povo se una em amor fraternal, para que a vida lhes seja boa e agradável.
É de Sião que Deus graciosamente ordena a vida e a saúde para seus filhos. É de sua morada eterna que sempre surgirá as bênçãos para todos aqueles que atentam para a sua palavra. “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente ”( 1 Pd 1.22).
Em hebreus 4.14,15, (Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. 15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.”) vemos Cristo sendo apresentado como mediador da aliança. Quanto a menção de Arão como sacerdote v, 2 podemos dizer que Cristo também atua como mediador. Diz Paulo ao seu filho Timóteo: Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1 Tm 2.5).
            Assim como o monte Sião era regado pelo derreter do orvalho, assim também a Igreja é regada pela fonte de água viva que é Cristo. Que por meio de sua atuação possibilita que os crentes sejam alvos das bênçãos de Deus. 




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