Sermão
27/05/2012
Texto: Hebreus 10.32-39
Faltando alguns dias, a Olimpíada de Londres reunirá centena de
países, para disputarem varias modalidades esportivas. E dentre as modalidades,
existe “a corrida com obstáculos”. É uma competição que
exige muito preparo e disposição do atleta. Além de correr, ele tem que saltar
as barreiras a sua frente. As corridas com obstáculos podem ser disputadas
em várias distâncias que vão de 100 metros até 3000. Dentre os obstáculos,
estão: uma barreira, feita de madeira e metal. Suas passadas devem ser precisas, o olhar
fixo nos alvos e o pensamento direcionado para a vitória. Em nossa vida cristã
faz-se necessário fixar o olhar no alvo, Jesus Cristo, e ter a certeza da
vitória, que foi garantida por Ele, e seguir firme, certos de que há barreiras
para saltar, mas conseguiremos alcançar o objetivo, pois o próprio Jesus nos dá
condição de prosseguir.
Nesta
carta aos hebreus existem diversas perguntas que são impossíveis de responderem,
por exemplo, quem escreveu e a quem foi dirigida inicialmente. Todavia, não
impede a compreensão espiritual e teológica que desde o inicio tem comprovado
por si mesmo autoritativo em vista de seu valor intrínseco. O titulo que
recebeu se deve ao fato de que ela foi escrita para crentes judeus; quem a escreveu
tinha em mente o conhecimento do Antigo Testamento, “os rituais levíticos são
tratados com notável respeito, como possuidores de sanção e autoridade
conferidas por Deus.”
O proposito desta carta se deve ao fato de que seus
leitores haviam recebido a fé, e que inicialmente havia um forte entusiasmo, e
que o passar dos dias haviam perdido o entusiasmo, chegando ao desanimo e
indolência (Hb 12.3). Considerai, pois aquele que suportou tal
contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis,
desfalecendo em vossas almas.
Haviam deixado de progredir, crescer, e sofriam
seriamente na compreensão doutrinaria e discernimentos espirituais Hb 5.12 “Porque, desde a infância sabes as
sagradas letras, que podem necessitais de que se vos torne a ensinar os
princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que
precisais de leite, e não de alimento sólido.” E também não estavam sendo leais
aos seus lideres cristãos Hb 13.17 “Obedecei a vossos guias, sendo-lhes
submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas;
para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.”
Precisavam urgentemente de exortação, porque corriam o
perigo de abandonar a fé, a qual os lideres haviam falado. Aderentes do
judaísmo, possivelmente sentiram-se desapontados com o cristianismo. Além de
não proporcionar um reino terreno, foram rejeitados pela grande maioria e
perseguidos pelas autoridades da época.
Sabedor disto, o autor, labuta em demonstrar aos seus
leitores a revelação de Deus por meio de Jesus Cristo o nosso salvador. E
também, o caráter celestial e eterno, das bênçãos assim livremente oferecidas
pela fé.
A FÉ EM CRISTO NOS GARANTE A VITORIA
Eles deveriam recordar das
suas experiências passadas como cristãos, e que desde o principio foram
esclarecidos da revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Só assim,
suportariam as aflições e perseguições.
Até certo momento eles
compreenderam o chamado de Deus, tanto que eles, em face de tais provações,
demonstraram alegria, comparando-se isso a seu lucro celestial e eterno.
Esta alegria incluía uma
firme e eterna promessa de plena recompensa (o patrimônio superior e durável),
e que de modo algum deveria ser abandonada e esquecida. Os patriarcas desejaram
ver, porém morreram na fé, sem ter obtido as promessas, e somente vendo-as de
longe (Hb 11.13-16).
Todos estes morreram na fé, sem terem
alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que
eram estrangeiros e peregrinos na terra. 14 Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. 15 E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam
saído, teriam oportunidade de voltar. 16 Mas agora desejam uma pátria
melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de
ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.
“Com efeito, tendes necessidade de perseverança,
para que havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” (v 35)
Porém, precisavam entender
que na vontade de Deus, existe um momento de espera, antes do dia mais esperado
e desejado, e que este momento de espera inclui serviços e provações. Paulo tratando das lutas na vida cristã, diz as seguintes palavras: "Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. 4 Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E também se um atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado se não lutar legitimamente."
Vejam, meus queridos irmãos, que a necessidade de perseverança
fundamenta-se em “andar segundo as normas" segundo a vontade de Deus e, assim, conseguir a
realização da promessa.”
Qual é a regra do cristão? o manual que Deus deixou para que andássemos nela? é a palavra de Deus. A Confissão de Westminster diz que As Escrituras devem "ser obedecidas, cridas e observados para a salvação".
E, mais, "Todo
o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele
e para a salvação, fé e vida do homem..." estão declarados na
Escritura (CFW, cap I; vi)
Podemos ver que a vontade de Deus é soberana e inescrutável, todavia, é experimental. Eu pergunto a cada um: O que pode nos colocar no caminho da experiência da vontade de Deus? 1) uma consciência grata pela graça recebida. 2) uma entrega total ao amor de Deus. 3) essa entrega a graça de Deus produz uma alegria no ser.
Deus conduz a fé de todos
aqueles que planejou redimir. A redenção dos eleitos está garantida, e ninguém
mais tem a capacidade de ir até ele. Vejamos, no evangelho de João 6.37-40
“Todo o que o Pai me dá virá a mim;
e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. 38 Porque eu
desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me
enviou. 39 E a vontade do
que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas
que eu o ressuscite no último dia. 40 Porquanto esta
é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida
eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”
Jesus entendia que a vontade de Deus era que os verdadeiros crentes (eleitos), salvos da ira vindoura, e procurando andar diante dEle em toda as suas palavras, tivesse a vida eterna. Logo, a perseverança não depende das suas forças, mas "da imutabilidade do decreto eletivo, procedente do livre e imutavel amor de Deus Pai" (CFW cap. VII, ii),
"Os
que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou
pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem
finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e
serão eternamente salvos." (CFW, cap XVII, i)
“Porque, ainda dentro
de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá
pela fé; e: se retroceder, nele não se compraz a minha alma.”
Somos uma geração de impacientes, queremos ter e ver as coisas imediatamente, não conseguimos esperar. Até mesmo em nossas orações, exigimos que Deus atenda os nossos pedidos para ontem, e se esquecemos que Deus é quem estar no controle e não o homem. Contudo, Deus tem três resposta para nossas petições, sim, não, e espere.
Paulo em certo sentido nos ensina que a minha vida não depende ou não esta enraizadas nas coisas deste mundo, “Por isso não desfalecemos; mas ainda que
o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de
dia em dia. Porque
a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais
abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem,
mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as
que se não vêem são eternas.” ( 2 Co 4.16-18.)
Todos nós enfrentamos problemas em nossos relacionamentos ou em nosso trabalho que nos levam a pensar em parar. Nossas dificuldades não devem diminuir nossa fé nem nos desiludir. Devemos entender que existe um proposito em nosso sofrimento. Os problemas que enfrentamos tem vários benefícios: 1) forma nosso caráter e nossa paciência; 2) Saber que Jesus está conosco em nosso sofrimento e que um dia retornará para colocar um fim em toda dor; 3) ajuda a crescermos em nossa fé e em nosso relacionamento com Ele.
O escritor aos hebreus finaliza encorajando os seus leitores a não abandonarem a sua fé em tempos de perseguição, mas a mostrarem, por sua resistência, que a sua fé é real. Ter fé significa descansar naquilo que Cristo fez por nós no passado, mas também significa confiar naquilo que Ele faz por nós no presente, e fará no futuro. Amem!
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