terça-feira, 15 de maio de 2012


Sermão 13/05/12.
Texto: João 13.1-19

Introdução: Nós vivemos em uma geração muito orgulhosa e egoísta. As pessoas agora consideram aceitável e até normal que outros se promovam, se louvem e se coloquem em primeiro lugar. Muitos consideram o orgulho como uma virtude. Por outro lado muitos vêem a humildade como uma fraqueza. Todo o mundo, ao que parece, está reivindicando seus próprios direitos e procurando ser reconhecido como alguém importante.  
Nenhuma cultura pode sobreviver ao orgulho desenfreado, porque toda sociedade depende de relacionamentos. Quando as pessoas estão comprometidas consigo mesma em primeiro lugar, os relacionamentos se desintegram. E é exatamente isso que está acontecendo na nossa cultura na medida em que amizades, casamentos e famílias se desmoronam.
Lamentavelmente, a preocupação egoísta penetrou na igreja. Talvez o fenômeno que mais rapidamente cresce no cristianismo moderno seja a ênfase no orgulho, auto-estima, auto-imagem auto-realização e outras manifestações de egoísmo. Disso está emergindo uma nova religião de egocentrismo, orgulho e até arrogância. Vozes de todas as partes do espaço teológico nos chamam para nos unirmos ao culto da alta estima.
Porém, as Escrituras deixam claro que o egoísmo não tem lugar na teologia cristã. Jesus ensinou repetidamente contra o orgulho. Com a sua vida e com o seu ensino ele exaltou constantemente a virtude da humildade. Em nenhum outro lugar isso fica claro do que em João 13.
Elucidação: o capitulo 13 marca um momento decisivo no evangelho de João e no ministério de Jesus Cristo. O ministério publico de Jesus junto ao povo de Israel tinha completado o seu curso e terminado em completa rejeição da parte deles a Jesus como o Messias. Agora, era o dia anterior a sua morte, em vez de estar preocupado com pensamentos sobre a sua morte, sobre levar os pecados e sobre a glorificação, ele estava totalmente consumido pelo amor de seus discípulos. Mesmo sabendo que logo iria para cruz para morrer pelos pecados de seu povo, Jesus ainda estava preocupado com as necessidades de doze homens. Seu amor não foi e nunca é impessoal – esse é o seu mistério.
Mas, precisamos entender que Jesus Cristo está na fase da sua humilhação, teologicamente falando.  Segundo Berkhof: “Com base em Fp 2.7, 8, a teologia reformada (calvinista) distingue dois elementos na humilhação de Cristo, a saber, (1) a kenósis (esvaziamento, exinanitio), que consiste em renunciar Ele à Sua majestade do supremo Governador do universo, e assumir a natureza humana na forma de um servo; e (2) a tapeinosis (humiliatio), que consiste em haver-se Ele feito sujeito às exigências e à maldição da lei, e em toda a Sua vida ter-se feito obediente em ações e em sofrimento, até ao próprio limite de uma morte ignominiosa. Com base na referida passagem de Filipenses, pode-se dizer que o elemento essencial e central do estado de humilhação acha-se no fato de que Ele, que era o Senhor de toda a terra, o supremo Legislador, colocou-se debaixo da lei para desincumbir-se das Suas obrigações federais e penais a favor do Seu povo. Ao fazê-lo, Ele se tornou legalmente responsável por nossos pecados e sujeitos à maldição da lei. Este estado do Salvador, concisamente expresso nas palavras de Gl 4.4, “nascido sob a lei”, reflete-se na condição que lhe é correspondente e que é descrita nos vários estágios da humilhação. Enquanto a teologia luterana fala em nada menos que oito estágios da humilhação de Cristo, a teologia reformada geralmente enumera cinco, a saber: (1) encarnação; (2) sofrimento); (3) morte; (4) sepultamento; e (5) descida ao hades.”

Em vista do fato de que Jesus começou a falar dos Seus sofrimentos vindouros quando já se aproximava o fim da Sua vida, muitas vezes somos inclinados a julgar que as Suas agonias finais constituem os Seus sofrimentos completos. Contudo, toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos. Foi uma vida de servo, a do Senhor dos Exércitos, a vida do único ser humano sem pecado, na diária companhia de pecadores, e a vida do Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da obediência foi para Ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos.
Tema: Humilhação Voluntaria
1. Expressa amor
O verso 1 diz: “... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” Este amor é um amor perfeito. Por que em grego quer dizer que ele amou perfeitamente eis telos. Amou ao extremo, com toda inteireza do amor. Essa é a natureza do amor de Cristo, demostrado em varias ocasiões, por exemplo: quando providenciou que os seus discípulos não fossem presos; na salvação do ladrão moribundo, lá na cruz. Ele ama completamente, absolutamente, perfeitamente, totalmente, e sem reservas.
Isaias 53.6,7, diz assim: Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. 7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
No momento em que a maioria dos homens estaria totalmente preocupado consigo, ele altruisticamente humilhou-se a si mesmo para atender as necessidades dos outros. O genuíno amor é assim.
Não há algo maior que alguém possa fazer do que sacrificar-se em favor da pessoa amada. Jesus falou que “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos... 15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” (Jo 15.12,13,15).
“O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” “conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim...” (Jo 10.11,14).
O apostolo Paulo diz: se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angustia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como esta escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.


2. Expressa humildade
João relata neste capitulo uma demonstração gráfica desse amor. Mas vejam o contexto desse fato. É muito provável que Jesus e seus discípulos tinham estado se escondendo em Betânia nessa ultima semana antes da crucificação. Eles provavelmente haviam passado por estradas extremamente poeirentas. Naturalmente, ao final da viagem os pés deles estavam cobertos de poeira.
O que é mais interessante é que em todo lar judeu havia um grande pote de água para lavar pés sujos. E naturalmente, quem fazia este trabalho era o escravo de mais baixa condição. Quando os convidados chegavam ele tinha que ir até a porta e lavar-lhes os pés – o que não era uma tarefa agradável. Mesmo os discípulos de rabinos não eram obrigados a lavar os pés de seus mestres – essa era tarefa unicamente de escravo.
Alguns dias antes Jesus havia dito aos seus discípulos as seguintes palavras: “...quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos serve” (Mateus 20.26,27). Se eles tivessem se dedicado de mente e coração aos seus sentimentos, um dos doze teria lavado os pés dos outros, ou teriam todos dividido as tarefas.
Mas, sabe por que não aprenderam? Por causa do egoísmo que havia neles. O egoísmo escraviza o homem. Agora, vejamos uma passagem paralela em Lucas 22.24-26. Que nos dá uma ideia exata de quanto eles eram egoísta e sobre o que eles estavam pensando naquela noite:
Suscitaram também entre si uma discursão sobre qual deles parecia ser o maior. Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.

Que triste acontecimento! Eles estavam brigando sobre quem seria o maior. E numa discursão dessa, ninguém se abaixaria até o chão para lavar pés.
Pense nesta cena. A bacia estava lá, bem na entrada da porta, a toalha estava lá e tudo estava pronto. Todavia, ninguém se moveu para lavar os pés dos outros.

O egoísmo prendeu as suas mãos, as suas consciências, eles estavam imobilizados pelo pecado do egoísmo.
Jesus poderia estar pensando em sua glória que viria a ser sua no reino. Mas, em vez disso ele se dedicou inteiramente a revelar o seu amor pessoal aos doze para que nele pudessem estar seguro.
Jesus partiu do maior para o menor. Se o Senhor da Glória estava pronto para cingir-se com uma toalha, assumir a forma de servo, agir como um escravo e lavar os pés empoeirados de discípulos pecadores, era de se esperar que os discípulos se dispusessem a lavar os pés uns dos outros. O exemplo visual que Jesus apresentou foi certamente mais eficaz do que teria sido uma palestra sobre humildade.
O resultado dessa humildade é sempre um serviço de amor – realizando as tarefas menores e humilhantes para a glória de Jesus Cristo – o que derruba a maior parte das ideias populares sobre o que constitui espiritualidade.
Algumas pessoas parecem pensar que quanto mais perto você chega de Deus, tanto mais você tem que se distanciar da humanidade, mas isso não é verdade. A genuína proximidade de Deus é servir ao próximo.
 Nunca houve qualquer serviço sacrificial em beneficio dos outros que Jesus tivesse má vontade de realizar. Por que seria diferente? Nós não somos diferentes que o Senhor: “Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (vs. 16,17).
Você quer ser abençoado com satisfação e felicidade?
1.      Ama o seu próximo com o amor de Deus.
2.      Desenvolva um coração de servo. Se Jesus pode descer de uma posição de divindade para se tornar homem e humilhar-se ainda mais para ser um servo e lavar os pés de doze pecadores sem merecimento, nós deveríamos estar prontos a sofrer qualquer indignidade para servi-lo. Isso é verdadeiro amor e verdadeira humildade.












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