quarta-feira, 23 de maio de 2012



Sermão 20/05/12
Texto: João 14.27-28b
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. 28 Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós.

Introdução: eu tentarei nesta oportunidade mostrar a vocês o valor e a validade de um legado ou herança, dentro da relação humana, que tanto uma nação, quanto um homem tem herdeiros, e cada geração deixa, para aquela que tem de seguir-se, legados ora coisas boas ora de coisas males, e consequentemente, chegar ao ponto em que Adão nos deixou um legado de desgraça perpetua e Jesus Cristo o segundo Adão, por meio de seu sangue a Paz que nos reconcilia com Deus eternamente.
Antes de mais nada, eu quero dar o significado de Legado: Legado é uma disposição feita em um testamento para benefício de outra pessoa, é deixar algo, de valor ou não, para outra pessoa, e vem do latim, legatus.
O Brasil possui muitos bilionários, e dentre podemos citar: em primeiro lugar está Eike Batista, a sua fortuna é equivalente à US$ 30 Bilhões; Carlos Alberto Sicupira US$5,5 bilhões (Busch Inbev); Abilio Dinis (pão de açúcar) 3,4 bilhões; Antonio Luiz Seabra (Natura) 3,3 bilhões.
Todos os dias somas fabulosas de dinheiro e ricas propriedades são passadas à herdeiros que não tem em nada para a sua acumulação. Tudo quanto pertencia ao testador falecido forçosamente passa aos seus herdeiros, sem pagamento, e sem poder outrem pôr embargo algum.
Mas, vejam que o direito adquirido em virtude de um testamento é o mais absoluto de todos os direitos reconhecidos entre os homens. Sabe por que? Porque não há pagamento. O herdeiro não paga nada pelos legados que lhe são deixados. Mas por isso mesmo ninguém pode contestar-lhes o seu titulo de herdeiro.
Afinal de contas, qual a relação de Adão, em termos de herança, com sua descendência?
Todos nós sabemos que Adão foi o nosso representante legal, nós somos criados a sua imagem, carne da sua carne, o seu sangue percorre em nossas veias. Ele foi instituído o cabeça federal do gênero humano, e Deus fez um pacto, prometendo-lhe a vida eterna caso fosse obediente, e intimando-lhe que a quebra do mesmo pacto seria punida com a pena de morte. (CFW, VI; VII)
Nós já sabemos o resultado. Adão caiu por sua desobediência e ficou incurso (comprometido) na pena da lei. Lançado fora do paraíso e condenado, a sua alma perdeu a paz que dantes era o doce enlevo da sua existência. Agora, dentro dele tudo estava mudado. E a paz que antes tinha, foi substituída por cruéis remorsos e um futuro sem nenhuma esperança.
Hoje, quando paramos para pensar, ouvimos em nossas consciências a voz de Deus nos chamando, as nossas almas estremecem de alegria, porém, (o mundo se esconde por trás das religiões dos ritos que ele mesmo constrói...). O legado que Adão ele deixou é uma dor extrema na consciência, tornou-se uma desgraça a proposta causa.
Paulo escrevendo para os corintos (1 Co 15.45) descreve Jesus Cristo como o ultimo Adão, porque, a exemplo de Adão, ele foi constituído fiador e representante da nossa raça, e pelo seu testamento assegurou aos seus herdeiros uma herança adquirida pelos seus trabalhos e sofrimentos.
O objetivo deste sermão é expor o valor deste legado e validade do direito que tendes a recebê-lo.

A PAZ DE CRISTO: HERANÇA DOS SEUS HERDEIROS

1.       O valor é dá a sua vida
“... a minha paz vos dou”

O único momento que Jesus tratou de paz aos seus discípulos foi aqui. Mas vejam que não havia razões para falar de uma herança, se não perto da sua morte. O capitulo 14 trata de sua ultimas palavras. Os discípulos estão se sentindo abandonados ao ponto do próprio Jesus dizer “Não se turbe o vosso coração”. “Não vos deixareis órfãos” 

A primeira consideração que trago, para vos dar a conhecer o valor do legado de Cristo, resulta da sua vida. Cristo não vos promete grandes somas de dinheiro, prazeres, e hierarquia, como muita gente pensa. Certa vez Jesus perguntou a mãe de Tiago e João “[...] Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino (Mt 20.21). Todavia, Jesus só a promete a sua paz. Uma paz que transcende. Que traz firmeza e segurança de alguém que estabeleceu a salvação.

O pecado de Adão trouxe desespero e afastamento da única fonte da alegria e paz. E, consequentemente, o coração do homem tornou-se ao mar, que não é capaz de descansar por um só momento, como descreve o Profeta Isaias “Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo.  (Is 57.20).

Tudo o que nós podemos possuir neste mundo, não é suficiente restaurar a paz com Deus. Porem, o primeiro passo para restituir a alguém a felicidade é a sua absolvição, de modo que não seja mais sujeito as consequências dos seus pecados. Só assim a paz torna a habitar em nossas almas, e com a paz a felicidade própria de uma criatura racional e moral.

Vejam que Jesus promete a paz que o mundo não pode dar e nem tirar de nossa alma. Ela põe termo á inquietação, e ao medo que o pecado gera sempre. Não haveis de sentir mais o medo que levou Adão a esconder-se de Deus. O pensamento da morte e do juízo final não assusta mais, pois tendes em quem confiar. O próprio juiz está dizendo: “A minha paz vos dou”.
O seu valor torna-se mais evidente se consideramos o preço por que foi adquirida. Enquanto nada nos custa a nós, tal não sucedeu a Cristo.
Vejamos em Colossenses 1.19-22:

19 Porque foi do agrado do Pai que residisse nele toda a plenitude nele habitasse,  20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.  21 A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou 22 No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis

Quando, já ressuscitado, diz as seguintes palavras aos seus discípulos:
Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. 22 E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Portanto, não havia possibilidade sem desvanecer o pecado, nem havia meio de livrar os homens dos seus pecados senão pagando-se o resgate exigido. Consultando a lei, vemos que a pena da sua quebra é a morte. A alma que pecar, certamente morrerá. A fim de expiar pelo pecado e deixar intacta esta lei, o Redentor voluntariamente deixou-se prender, condenar e crucificar. Foi maldito para que nós nunca o fossemos. Padeceu em seu corpo e alma o castigo que nos devia trazer paz. Por isso, meus irmãos, a paz que deixou por testamento aos crentes é fruto de seu amor pelas seus filhos. Ele a comprou, no rigor da palavra, e de sua bondade quer transmiti-la a todos os seus como precioso legado.
O que para nós é um dom, um presente, uma mercê, foi por ele ganho a preço do seu ganho. Nós temos paz com Deus e paz em nossas almas por sermos feitos herdeiros de Cristo. A paz que possuímos, meus queridos irmãos, não é nossa senão pelo direito de sucessão.

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