Sermão
20/05/12
Texto:
João 14.27-28b
Deixo-vos a
paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o
vosso coração, nem se atemorize. 28 Ouvistes que eu vos disse: Vou, e
voltarei a vós.
Introdução: eu tentarei nesta
oportunidade mostrar a vocês o valor e a validade de um legado ou herança,
dentro da relação humana, que tanto uma nação, quanto um homem tem herdeiros, e
cada geração deixa, para aquela que tem de seguir-se, legados ora coisas boas
ora de coisas males, e consequentemente, chegar ao ponto em que Adão nos deixou
um legado de desgraça perpetua e Jesus Cristo o segundo Adão, por meio de seu
sangue a Paz que nos reconcilia com Deus eternamente.
Antes
de mais nada, eu quero dar o significado de Legado: Legado é uma disposição
feita em um testamento para benefício de outra pessoa, é deixar algo, de valor
ou não, para outra pessoa, e vem do latim, legatus.
O
Brasil possui muitos bilionários, e dentre podemos citar: em primeiro lugar
está Eike Batista, a sua fortuna é equivalente à US$ 30 Bilhões; Carlos Alberto
Sicupira US$5,5 bilhões (Busch Inbev); Abilio Dinis (pão de açúcar) 3,4 bilhões;
Antonio Luiz Seabra (Natura) 3,3 bilhões.
Todos
os dias somas fabulosas de dinheiro e ricas propriedades são passadas à
herdeiros que não tem em nada para a sua acumulação. Tudo quanto pertencia ao
testador falecido forçosamente passa aos seus herdeiros, sem pagamento, e sem
poder outrem pôr embargo algum.
Mas,
vejam que o direito adquirido em virtude de um testamento é o mais absoluto de
todos os direitos reconhecidos entre os homens. Sabe por que? Porque não há
pagamento. O herdeiro não paga nada pelos legados que lhe são deixados. Mas por
isso mesmo ninguém pode contestar-lhes o seu titulo de herdeiro.
Afinal
de contas, qual a relação de Adão, em termos de herança, com sua descendência?
Todos
nós sabemos que Adão foi o nosso representante legal, nós somos criados a sua
imagem, carne da sua carne, o seu sangue percorre em nossas veias. Ele foi
instituído o cabeça federal do gênero humano, e Deus fez um pacto,
prometendo-lhe a vida eterna caso fosse obediente, e intimando-lhe que a quebra
do mesmo pacto seria punida com a pena de morte. (CFW, VI; VII)
Nós
já sabemos o resultado. Adão caiu por sua desobediência e ficou incurso
(comprometido) na pena da lei. Lançado fora do paraíso e condenado, a sua alma
perdeu a paz que dantes era o doce enlevo da sua existência. Agora, dentro dele
tudo estava mudado. E a paz que antes tinha, foi substituída por cruéis
remorsos e um futuro sem nenhuma esperança.
Hoje,
quando paramos para pensar, ouvimos em nossas consciências a voz de Deus nos
chamando, as nossas almas estremecem de alegria, porém, (o mundo se esconde por
trás das religiões dos ritos que ele mesmo constrói...). O legado que Adão ele
deixou é uma dor extrema na consciência, tornou-se uma desgraça a proposta causa.
Paulo
escrevendo para os corintos (1 Co 15.45) descreve Jesus Cristo como o ultimo
Adão, porque, a exemplo de Adão, ele foi constituído fiador e representante da
nossa raça, e pelo seu testamento assegurou aos seus herdeiros uma herança
adquirida pelos seus trabalhos e sofrimentos.
O
objetivo deste sermão é expor o valor deste legado e validade do direito que
tendes a recebê-lo.
A
PAZ DE CRISTO: HERANÇA DOS SEUS HERDEIROS
1. O
valor é dá a sua vida
“... a minha paz vos dou”
O único momento que
Jesus tratou de paz aos seus discípulos foi aqui. Mas vejam que não havia
razões para falar de uma herança, se não perto da sua morte. O capitulo 14
trata de sua ultimas palavras. Os discípulos estão se sentindo abandonados ao
ponto do próprio Jesus dizer “Não se turbe o vosso coração”. “Não vos deixareis
órfãos”
A primeira
consideração que trago, para vos dar a conhecer o valor do legado de Cristo,
resulta da sua vida. Cristo não vos promete grandes somas de dinheiro,
prazeres, e hierarquia, como muita gente pensa. Certa vez Jesus perguntou a mãe
de Tiago e João “[...] Que queres? Ela
lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e
outro à tua esquerda, no teu reino” (Mt 20.21).
Todavia, Jesus só a promete a sua paz. Uma paz que transcende. Que traz firmeza
e segurança de alguém que estabeleceu a salvação.
O pecado de Adão
trouxe desespero e afastamento da única fonte da alegria e paz. E,
consequentemente, o coração do homem tornou-se ao mar, que não é capaz de
descansar por um só momento, como descreve o Profeta Isaias “Mas os ímpios são
como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas
águas lançam de si lama e lodo.” (Is 57.20).
Tudo
o que nós podemos possuir neste mundo, não é suficiente restaurar a paz com
Deus. Porem, o primeiro passo para restituir a alguém a felicidade é a sua
absolvição, de modo que não seja mais sujeito as consequências dos seus
pecados. Só assim a paz torna a habitar em nossas almas, e com a paz a
felicidade própria de uma criatura racional e moral.
Vejam
que Jesus promete a paz que o mundo
não pode dar e nem tirar de nossa alma. Ela põe termo á inquietação, e ao medo
que o pecado gera sempre. Não haveis de sentir mais o medo que levou Adão a
esconder-se de Deus. O pensamento da morte e do juízo final não assusta mais,
pois tendes em quem confiar. O próprio juiz está dizendo: “A minha paz vos
dou”.
O
seu valor torna-se mais evidente se consideramos o preço por que foi adquirida.
Enquanto nada nos custa a nós, tal não sucedeu a Cristo.
19 Porque foi do agrado do Pai que residisse nele toda a plenitude nele habitasse,
20 E que, havendo por ele feito a paz
pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. 21 A vós também, que noutro tempo
éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora
contudo vos reconciliou 22 No
corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e
irrepreensíveis, e inculpáveis”
Quando, já ressuscitado, diz
as seguintes palavras aos seus discípulos:
Disse-lhes, pois, Jesus outra
vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. 22 E, havendo dito
isto, assoprou sobre eles e
disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem
perdoardes os pecados lhes são perdoados; e
àqueles a quem os retiverdes lhes são
retidos.
Portanto,
não havia possibilidade sem desvanecer o pecado, nem havia meio de livrar os
homens dos seus pecados senão pagando-se o resgate exigido. Consultando a lei,
vemos que a pena da sua quebra é a morte. A alma que pecar, certamente morrerá.
A fim de expiar pelo pecado e deixar intacta esta lei, o Redentor
voluntariamente deixou-se prender, condenar e crucificar. Foi maldito para que
nós nunca o fossemos. Padeceu em seu corpo e alma o castigo que nos devia
trazer paz. Por isso, meus irmãos, a paz que deixou por testamento aos crentes
é fruto de seu amor pelas seus filhos. Ele a comprou, no rigor da palavra, e de
sua bondade quer transmiti-la a todos os seus como precioso legado.
O
que para nós é um dom, um presente, uma mercê, foi por ele ganho a preço do seu
ganho. Nós temos paz com Deus e paz em nossas almas por sermos feitos herdeiros
de Cristo. A paz que possuímos, meus queridos irmãos, não é nossa senão pelo
direito de sucessão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário