segunda-feira, 28 de maio de 2012


Sermão 27/05/2012

Texto: Hebreus 10.32-39


Faltando alguns dias, a Olimpíada de Londres reunirá centena de países, para disputarem varias modalidades esportivas. E dentre as modalidades, existe “a corrida com obstáculos”. É uma competição que exige muito preparo e disposição do atleta. Além de correr, ele tem que saltar as barreiras a sua frente. As corridas com obstáculos podem ser disputadas em várias distâncias que vão de 100 metros até 3000. Dentre os obstáculos, estão: uma barreira, feita de madeira e metal. Suas passadas devem ser precisas, o olhar fixo nos alvos e o pensamento direcionado para a vitória. Em nossa vida cristã faz-se necessário fixar o olhar no alvo, Jesus Cristo, e ter a certeza da vitória, que foi garantida por Ele, e seguir firme, certos de que há barreiras para saltar, mas conseguiremos alcançar o objetivo, pois o próprio Jesus nos dá condição de prosseguir.
Nesta carta aos hebreus existem diversas perguntas que são impossíveis de responderem, por exemplo, quem escreveu e a quem foi dirigida inicialmente. Todavia, não impede a compreensão espiritual e teológica que desde o inicio tem comprovado por si mesmo autoritativo em vista de seu valor intrínseco. O titulo que recebeu se deve ao fato de que ela foi escrita para crentes judeus; quem a escreveu tinha em mente o conhecimento do Antigo Testamento, “os rituais levíticos são tratados com notável respeito, como possuidores de sanção e autoridade conferidas por Deus.”

O proposito desta carta se deve ao fato de que seus leitores haviam recebido a fé, e que inicialmente havia um forte entusiasmo, e que o passar dos dias haviam perdido o entusiasmo, chegando ao desanimo e indolência (Hb 12.3). Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.  

Haviam deixado de progredir, crescer, e sofriam seriamente na compreensão doutrinaria e discernimentos espirituais Hb 5.12 Porque, desde a infância sabes as sagradas letras, que podem necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido.”  E também não estavam sendo leais aos seus lideres cristãos Hb 13.17 Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.”

Precisavam urgentemente de exortação, porque corriam o perigo de abandonar a fé, a qual os lideres haviam falado. Aderentes do judaísmo, possivelmente sentiram-se desapontados com o cristianismo. Além de não proporcionar um reino terreno, foram rejeitados pela grande maioria e perseguidos pelas autoridades da época.

Sabedor disto, o autor, labuta em demonstrar aos seus leitores a revelação de Deus por meio de Jesus Cristo o nosso salvador. E também, o caráter celestial e eterno, das bênçãos assim livremente oferecidas pela fé.

A FÉ EM CRISTO NOS GARANTE A VITORIA 

Eles deveriam recordar das suas experiências passadas como cristãos, e que desde o principio foram esclarecidos da revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Só assim, suportariam as aflições e perseguições.
Até certo momento eles compreenderam o chamado de Deus, tanto que eles, em face de tais provações, demonstraram alegria, comparando-se isso a seu lucro celestial e eterno.
Esta alegria incluía uma firme e eterna promessa de plena recompensa (o patrimônio superior e durável), e que de modo algum deveria ser abandonada e esquecida. Os patriarcas desejaram ver, porém morreram na fé, sem ter obtido as promessas, e somente vendo-as de longe (Hb 11.13-16).


Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. 14 Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. 15 E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. 16 Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

“Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” (v 35)

Porém, precisavam entender que na vontade de Deus, existe um momento de espera, antes do dia mais esperado e desejado, e que este momento de espera inclui serviços e provações. Paulo tratando das lutas na vida cristã, diz as seguintes palavras: "Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. 4 Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E também se um atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado se não lutar legitimamente."

Vejam, meus queridos irmãos, que a necessidade de perseverança fundamenta-se em “andar segundo as normas" segundo a vontade de Deus e, assim, conseguir a realização da promessa.”

Qual é a regra do cristão? o manual que Deus deixou para que andássemos nela? é a palavra de Deus. A Confissão de Westminster diz que As Escrituras devem "ser obedecidas, cridas e observados para a salvação". 
E, mais, "Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem..." estão declarados na Escritura (CFW, cap I; vi)

Podemos ver que a vontade de Deus é soberana e inescrutável, todavia, é experimental. Eu pergunto a cada um: O que pode nos colocar no caminho da experiência da vontade de Deus? 1) uma consciência grata pela graça recebida. 2) uma entrega total ao amor de Deus. 3) essa entrega a graça de Deus produz uma alegria no ser.

Deus conduz a fé de todos aqueles que planejou redimir. A redenção dos eleitos está garantida, e ninguém mais tem a capacidade de ir até ele. Vejamos, no evangelho de João 6.37-40

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. 38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. 40 Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.


Jesus entendia que a vontade de Deus era que os verdadeiros crentes (eleitos), salvos da ira vindoura, e procurando andar diante dEle em toda as suas palavras, tivesse a vida eterna. Logo, a perseverança não depende das suas forças, mas "da imutabilidade do decreto eletivo, procedente do livre e imutavel amor de Deus Pai" (CFW cap. VII, ii),  

"Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos." (CFW, cap XVII, i)

“Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: se retroceder, nele não se compraz a minha alma.”


Somos uma geração de impacientes, queremos ter e ver as coisas imediatamente, não conseguimos esperar. Até mesmo em nossas orações, exigimos que Deus atenda os nossos pedidos para ontem, e se esquecemos que Deus é quem estar no controle e não o homem. Contudo, Deus tem três resposta para nossas petições, sim, não, e espere.

Paulo em certo sentido nos ensina que a minha vida não depende ou não esta enraizadas nas coisas deste mundo,  “Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.  Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;  não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.” (2 Co 4.16-18.)

Todos nós enfrentamos problemas em nossos relacionamentos ou em nosso trabalho que nos levam a pensar em parar. Nossas dificuldades não devem diminuir nossa fé nem nos desiludir. Devemos entender que existe um proposito em nosso sofrimento. Os problemas que enfrentamos tem vários benefícios: 1) forma nosso caráter e nossa paciência; 2) Saber que Jesus está conosco em nosso sofrimento e que um dia retornará para colocar um fim em toda dor; 3) ajuda a crescermos em nossa fé e em nosso relacionamento com Ele.

O escritor aos hebreus finaliza encorajando os seus leitores a não abandonarem a sua fé em tempos de perseguição, mas a mostrarem, por sua resistência, que a sua fé é real. Ter fé significa descansar naquilo que Cristo fez por nós no passado, mas também significa confiar naquilo que Ele faz por nós no presente, e fará no futuro. Amem!




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