sexta-feira, 1 de junho de 2012


SERMÃO 03/06/12


TEXTO: ROMANOS 8.1,2

1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.

INTRODUÇÃO: Pelágio insistia na ideia de que o homem nasce na mesma condição em que Adão nasceu antes da Queda, ou seja, não existem tendências e desejos maus em sua natureza que, inevitavelmente, resultem em pecado. Em sua obra “De Natura”, escrita na Sicília, em 414 d.C, Pelágio afirma que a natureza humana é sadia, vigorosa, integra, capaz de cumprir toda lei. Sabedor destas palavras, Agostinho reage (contra a exposição de Pelágio), não deixando duvida ao afirmar que o homem é culpado de seus pecados, devido a sua representatividade em Adão. E, que na atual natureza, com a qual todos vêm ao mundo, tem como fonte o pecado original, que foi cometido por livre vontade do homem. Por isso, a natureza sujeita ao castigo atrai com justiça a condenação.
O homem enquanto autor do pecado acaba por ficar totalmente depravado e incapaz de praticar qualquer bem espiritual. Agostinho não nega o fato de a vontade continuar dotada de certa liberdade natural. Tal vontade continua sendo capaz de cometer atos civilmente bons, os quais, de certa forma, são até dignos de louvor. Concomitantemente, ele afirma que o homem, separado de Deus, sobrecarregado de pecado e sob o domínio do mal, não pode querer aquilo que é bom aos olhos de Deus. Bom aos olhos de Deus é aquilo que tem na sua origem, a motivação do amor a Deus. Confissonalmente falando, “tanto o pecado original quanto o atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e a ela contrária, torna, pela sua própria natureza, culpado e sujeito à ira de Deus e a maldição da lei, e, portanto, sujeito à morte.”
ELUCIDAÇÃO: Observa-se, que Paulo não foi o fundador desta Igreja (Rm 1.10), porém, acredita-se que a Igreja de Roma foi fundada por trabalhos de judeus cristãos que viajavam constantemente do Império para outras regiões. Paulo tem em mente que gentios irão ler essa carta (v 1.5; 11.13; 15.16), logo, entende-se que a Igreja está repleta de gentios. O seu tema é Justiça de Deus revelada de fé em fé (v 1.17). Todavia, Paulo aponta para nossa condição diante de Deus, seja judeu e gentio. No capitulo 3.9-12, o apostolo expõe a injustiça do judeu e grego, afirmando que todos estão na mesma condição de pecador. Logo, todos são responsáveis diante de Deus em juízo, o judeu a lei mosaica, e os gentios a lei natural, escrita na mente ou consciência de todos os homens, criados a imagem divina. Os judeus estavam fracassados diante de Deus, porque pela obra da lei nenhuma carne será justificada. A lei traz desespero, visto criar uma consciência de pecado, revelar o que este significa tanto para Deus como para o homem, para o Juiz e para aquele que é julgado. 

Neste sermão mostrarei que Cristo Liberta da lei do pecado e a lei da morte eterna.

Cristo: A Lei que Liberta
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus
1.                  Liberta da Lei do Pecado (Culpa Original) (v.2b)
Primeiramente veremos o significado da Palavra “condenação ou punição”, no grego,  κατάκριμα (katakrima), o termo puniçãoé a penalidade que naturalmente se requer do pecador, por causa do seu pecado. É a dor infligida por Deus (Legislador), em vindicação da sua justiça ultrajada pela violação da lei.” Deus exige santidade e justiça de todas as criaturas. Logo, é neste aspecto que Paulo trata aqui, punição ligada diretamente a lei. 
O pecado é um ataque, uma revolta ao grande Legislador. É uma infração da inviolável justiça de Deus. É por isso que Deus visite o pecado com punição. Com a finalidade de que sejamos santos em toda a nossa maneira viver, nos relacionamentos que construímos, seja no trabalho, seja na faculdade, ou em casa.
No homem é imputada a Culpa original em decorrência do pecado de Adão, sua representatividade federal. E que é culpado tem uma relação penal com a lei, ou seja, neste caso o réu é passivo de condenação. Com isto se quer dizer merecimento de punição, ou obrigação de prestar satisfação à justiça de Deus pela violação da lei.
A culpa pode ser removida de duas formas, ou pela pessoa ou por um substituto. o versículo 3 diz que “Deus enviando seu Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado.” A “carne pecaminosa” não significa que a natureza de Jesus se tornou corrompida e controlada pelo pecado, mas, no “tocante ao aspecto que ele podia ser tentado” (CBG). Ele é o Cordeiro de Deus, sem defeito, que recebe a culpa do homem. Na cruz o pecado foi julgado e condenado, de modo que agora todas reivindicações de condenação contra nós se tornaram invalidas. “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Jesus Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” (8.33,34).
Neste versículo 2, o apostolo Paulo traça o curso da vida cristã, na qual a graça triunfa sobre a lei do pecado, e os verdadeiros cristãos experimentam o livramento do pecado.
A vida triunfante começa aqui. Deus condenando na carne o pecado, na carne do próprio Filho Jesus. O auto sacrifício de Cristo remove a divida e santifica os crentes libertos. Agora, o cristão unido a Cristo é absorvido da condenação da lei do pecado e da morte. Por que? Porque a justa exigência da lei foi satisfeita.
A Confissão de Fé de Westminster, diz que O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.”  
Pois quando a obediência de Cristo nos é comunicada, a lei é satisfeita, de sorte que passamos a ser considerados justos. A perfeição que a lei exige foi exibida na carne por esta razão, a saber: que sua rigorosa exigência não mais tem o poder de condenar-nos. Porém, visto que Jesus Cristo comunica sua justiça somente àqueles a quem ele une a si pelos laços de seu Espirito.

2.      Livres da morte eterna (v. 2b)
Quando Paulo fala sobre “a lei do Espirito de vida”, ele quer dizer que o homem recebe a operação vigorosa e eficaz do Espirito Santo no coração e na vida. O Espirito Santo é vida em sua própria essência e também comunica vida, tanto física quanto espiritual.
Segundo Berkof, exite uma especie de punição imposta de fora do homem pelo supremo Legislador, como toda sorte de calamidades nesta existencia e o castigo do inferno no futuro. Deus ameaçou o homem no jardim do Éden com a pena de morte, no sentido mais terrivel da palavra, ou seja, a morte eterna. O peso da ira de Deus descendo de uma forma comple sobre os condenados.  Paulo não estava falando de morte fisica, mas, o resultado final da morte espiritual.
Assim como a lei do pecado produz morte, assim tambem a lei do Espirito da vida produz vida. A Lei do Espirito de vida, implica, que este Espirito asperge nossas almas com o sangue de Cristo, não apenas para purificar-nos das manchas do pecado em relação a nossa culpa, mas tambem para santificar-nos para a genuina pureza. Portanto, a lei de Deus condena, e são oprimidos pelas escravidão do pecado, e assim se vêem culpados de morte. O Espirito de Cristo, contudo, retira de nós a lei do pecado, ao purificar os desejos desordenados da carne, e ao mesmo tempo nos livra da culpa da morte. Ao sermos renovados pelo Espirito de Deus, somos ao mesmo tempo tambem justificados mediante o perdão gracioso, de sorte que a maldição oriunda do pecado não pode mais nos ferir.  
             Hoje, o Diabo não pode me impedir completamente de experimentar a paz de Deus que transcende toda a compreensão. Os cristãos são movidos por gratidão e em resposta ao derramamento do amor de Deus, eles agora amam a Deus e a seu semelhante.
O beneficio que recebemos é que Cristo habita em nós por meio seu Espirito, e seu Espirito infunde um novo principio, que é a lei da vida. A sua presença em nós é prova que nossos corpos, ainda sujeito a mortalidade, ressurgirão para uma nova vida, como se deu com o corpo de Cristo.  
Finalizo com a Confissão de Fé de Westminster, Cap. XIII, i:


Os que são eficazmente chamados e regenerados, tendo criado em si um novo coração e um novo espírito, são além disso santificados real e pessoalmente, pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, pela sua palavra e pelo seu Espírito, que neles habita; o domínio do corpo do pecado é neles todo destruído, as suas várias concupiscências são mais é mais enfraquecidas e mortificadas, e eles são mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadores, para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.
  

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