Os reformadores do século dezesseis e as igrejas da Reforma têm sido acusados muitas vezes de indiferença para com a evangelização. Por estranho que pareça, essa acusação tem sido lançada contra eles não só por escritores católico-romanos, mas também por protestantes. Admitindo que o entusiasmo protestante pelas missões alcançou os pontos mais altos nos séculos dezenove e vinte, os que fazem a acima referida acusação fazem vista grossa para vários fatos. Os reformadores se lançaram a uma estrênua campanha visando à evangelização da Europa. Programaram as mais intensas missões domésticas. E é bom que se diga enfaticamente que as missões domésticas não são nem um pouco menos dignas do que as missões estrangeiras. A Bíblia foi traduzida para o vernáculo, para a língua comum do povo. Ao passo que na igreja romana o ritual tinha sobrecarregado o Evangelho, o protestantismo dava ênfase na pregação como a principal tarefa da igreja. Homens de todos os cantos do continente, bem como das ilhas britânicas, sentavam-se aos pés de Calvino e dele aprendiam a proclamar a Palavra de Deus. Além disso, o reformador genebrino mantinha correspondência verdadeiramente cosmopolita, no interesse do Evangelho. A alguém da Inglaterra ele escreveu: “Deus criou o mundo inteiro para que fosse o teatro de Sua glória pela propagação do Seu Evangelho.”Quanto às missões estrangeiras, as igrejas da Reforma tiveram duas desvantagens. Estavam envolvidas em dura luta por sua própria existência, e muitas das terras recém-descobertas na Ásia, na África e na América estavam sob o domínio de nações católico-romanas como a Espanha e Portugal, intolerantes para com o protestantismo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário